10/07/2014

A fuga à chuva... Itália

Durante o jantar do dia anterior, e durante o pequeno-almoço deste nono dia de passeio, acordámos (a muito custo) alterar os planos e rumar em direcção ao único local onde parecia haver sol nos dias seguintes, Itália, Turim, onde seria possível chegar em... dois dias.
Para tal, teríamos que seguir em direcção a Basel na Suíça, cruzando a fronteira e atravessando o país no mesmo dia entrando em França junto às margens do lago Léman em direcção a Vacheresse para passar a noite, arrancando daí em direcção a Turim.
O primeiro dia de fuga à chuva, ao arrancar de Hausach, apanhámos a estrada 294 para entrar na auto-estrada 5 em direcção a Basel, olhando para a minha esquerda podia ver os Alpes cobertos de nuvens e não pude deixar de ficar triste por não estar a rumar em direcção a Stelvio, valia que o cenário e as perspectivas de chegar a um tempo melhor (que não me fizesse constantemente pensar "da próxima vez fazemos férias no Verão!") davam algum ânimo... e de certeza que viria a ter boas oportunidades de ficar de boca aberta com os Alpes.
Auto-estrada 22 da Suíça até Liestal, seguida da estrada 12 até Balsthal onde tomámos a número 5 e posteriormente a 22 até junto ao lago Murten onde entrámos na 1 até Ussieres virando para a Route de Moudon até à margem norte do lago Léman que contornámos passando por Montreux (e não visitei o Mercury... vergonhoso!) até entrar em França em Saint-Gingolph seguindo pela D1005 até Grande Rive onde a seguímos pela D21, D32 e D22 até chegar ao destino do primeiro dia de fuga, Vacheresse, onde novamente passaríamos a noite num hotel... e ainda comprámos chocolates antes de sair da Suíça! Escusado será dizer que não chegaram a casa... e que a viagem foi entre o molhar e o secar, como era de esperar pelas previsões dos meteorologistas.

No dia seguinte, partida em direcção a Abondance, o posto de combustível mais próximo, pela D22 e entrando na Suíça novamente em direcção a Monthey, rumando pela estrada 21 até Martigny onde, debaixo de chuva e com uma temperatura inferior a 5ºC (passámos por um termómetro algures na subida depois de Martigny) chegámos ao Túnel Grand-Saint-Bernard e se, na parte em que não estávamos completamente debaixo do chão, podíamos ver neve, assim que tivemos espaço para parar, foi isso que fizemos e o sol de Itália soube-nos tão bem ao fim de tanto tempo sem o sentir... o nosso destino daqui em diante passaria a ser Aosta. 

Continuámos a descida até Aosta onde acabámos por almoçar e beber um (verdadeiro) café debaixo de um sol maravilhoso mas depois do almoço lá seguimos então para Turim (cidade caótica a nível de trânsito por sinal) e depois para Avigliana. 
O parque de campismo Aviglianalacs fica localizado na faixa de terra que separa os dois lagos (o Grande e o Piccolo, que parece ser quase do tamanho do Grande), onde ficámos dois dias a secar roupa e alforges, a passear à beira lago, a visitar a Sacra di San Michele e a comer (pasta nas mais variadas formas) que nem uns abades... finalmente! As férias voltaram a ser no Verão!



 
Depois de corrigida a folga da corrente da CBF, chegámos ao ponto de parecer... lagartos ao sol!

07/07/2014

Dia 8, de Haarlem à Floresta Negra

Depois do fim-de-semana passado em Haarlem e em Amesterdão, a segunda-feira era o dia de partida em direcção à Floresta Negra no sul da Alemanha, o que, há que dizer, foi uma viagem sem grande história para além da posição do punho e das paragens para abastecer, tirando um ligeiro desnorte ao apanharmos a auto-estrada que nos levaria à Alemanha e que nos levava de volta à Bélgica se errássemos a direcção... foi um erro pequeno.
Até perto de Eindhoven na A2 (onde dei conta de um stand da McLaren... estive para voltar para trás para ver o P1 da montra) seguida a A67 até Venlo e a A74 até à fronteira que se converte na auto-estrada 61, onde cheguei a ver indicações para o Inferno Verde (Nürburgring... outras núpcias... outras núpcias), até às imediações de Hockenheim, onde entrámos na auto-estrada 6 por instantes e seguida da 5 rumando a sul até Offenburg onde a estrada 33 (com um piso quase perfeito e curvas a convidar) nos levariam a passear pela Floresta Negra até ao campismo onde iríamos passar a noite.
A 33 está situada num vale ficando paralela ao rio Kinzig, de ambos os lados elevam-se montanhas cobertas de milhares de árvores a perder de vista... olhando em frente, para a abertura nas montanhas onde passa a estrada e o rio podem ver-se relâmpagos e raios a riscar o céu... sim, o seu estava carregado e adoro ver trovoada... se conseguisse chegar ao campismo a tempo ainda me dava ao luxo de ir tirar fotos!... e ficou de noite... 
Receando uma molha, parámos num desvio da estrada, vestimos os impermeáveis e cobrimos os alforges, e arrancámos decididos a encontrar o campismo antes de começar a chover a sério. Na dúvida se já teríamos passado o campismo, parámos numa estação de serviço para pedir indicações e daí em diante a chuva não deu tréguas! Já em Hausach, a escassos 7km do destino, tive que parar debaixo de uma pequena ponte rodoviária e nos 10-15 minutos que ali estivemos a água que corria estrada abaixo já teria mais de 10 centímetros de altura... tivemos que nos render e acabámos por passar a noite num hotel, o Gasthaus Zur Blume, que era, literalmente, ao fundo da rua.
Facilitaram-nos um local para deixar a mota e deixar os impermeáveis secar na casa de arrumos do hotel e enquanto praguejava contra a chuva, o cozinheiro do hotel veio fumar um cigarro e meteu conversa... de onde vinha eu? Portugal, Lisboa... Portugal?! Yo soy de España! E daí em diante, a veia comum crítica de Portugueses e Espanhóis, que remonta ao princípio da história de ambos os países, veio ao de cima... e apesar do tempo de m... que estava lá fora, havia galhofa dentro de portas.
Ficámos impedidos de tirar fotos, mais uma vez, uma câmara de capacete teria feito milagres para apanhar a paisagem, bem como a trovoada, mas algo nos preocupava mais enquanto jantávamos... não iria ser possível sair da chuva nos próximos dias (a previsão era de chuva para o resto da semana) e ir ao Passo dello Selvio estava fora de questão nestas condições.

04/07/2014

Dia cinco, eis a Holanda!

Como precaução deixámos tudo preparado para uma noite molhada... e fizemos bem. Ao acordar a noite tinha sido de chuva (será que não nos dá descanso? não era suposto ser Verão?) e a CBF estava lavada dos poucos mosquitos que tinham resistido às constantes molhas. 
Tínhamos acordado tão cedo que nem mesmo a recepção estava aberta... óptimo! O percurso seria mais longo que de ontem, queríamos chegar a Haarlem hoje! No entanto não estávamos só nós a mexer (e a arrumar a trouxa), de uma caravana próxima aproximou-se uma senhora trazendo dois copos de plástico, falando em inglês, deu-nos os bons dias e ofereceu-nos o primeiro café do dia (diz que tinha feito um pote de café em vez de fazer uma caneca), acrescentando ainda, depois de agradecermos, que tinha começado os passeios dela também de mota e que agora já andava assim (apontando para o a bicicleta, o carro, a caravana, o avançado de caravana... ) partindo do seu país natal, a Holanda. Não pude deixar de mandar um olhar cúmplice à minha companheira dizendo... nem penses que me converto ao caravanismo! Se não cabe na mota, é porque não vale a pena levarmos! Fiquei com a sensação que, por entre o sorriso, ela sentia falta do secador com o difusor para os caracóis que não trouxemos...
Verifiquei o nível do óleo, o nível do refrigerante e o estado das pastilhas de travão traseiras (trazia um par extra por recomendação dos indivíduos da casa de pneus) e fomos até ao portão onde a senhora holandesa era a responsável pela abertura do parque... arrancámos na nossa viagem até... ao fundo da rua, passando a ponte sobre o L'Écorce onde parámos para tomar mais um pequeno-almoço à francesa. Aproveitámos para perguntar a direcção para Châlons-en-Champagne na tabacaria ao lado... mas o senhor tinha sérias dificuldades em se fazer entender para o meu parco Francês tendo eu ficado com uma ideia muito geral da direcção a tomar (esquerda ou direita... moeda ao ar?). Junto à mota, enquanto falávamos da dúvida sobre o início do percurso, chega-se a nós um casal, o rapaz estava na tabacaria quando entrei, dizendo que a rapariga sabia inglês, ele sabia o caminho, ela iria traduzir... e funcionou! Muitos agradecimentos e acenos e lá fomos pela D677 fora sem dramas nem dúvidas.
Passámos Châlons-en-Champagne sempre na D677, há nesta zona, ao que me parecia, uma forte componente militar (o Camp de Mourmelon) o que verifiquei, após parármos em Suippes (mais uma localidade bonita com um ar pacato), quando passámos junto a alguns cemitérios e junto ao Le Monument aux morts des Armées de Champagne, uma cripta onde estão os restos mortais de 10 mil homens que tombaram na primeira guerra mundial... mesmo nunca tendo sido militar, parei... desliguei o motor e fiquei em silêncio por instantes, há algo imenso de dor nestes locais, dor de quem combate, de quem morre e de quem ficou para trás chorando aqueles que perdeu...
Prestada a homenagem, seguimos caminho até ao final da D677 e entrando na D987 que ruma a norte até à A34 em direcção a Charleville-Mézières onde tomámos a N43 na qual volvemos a norte na N51 em direcção à fronteira onde a N51 se converte em N5, não tardou a sentir o telemóvel vibrar no bolso informando da entrada noutro país, acabávamos de entrar na Bélgica e parámos logo à entrada, em Brûly.
Se o percurso até Charleroi pela N5 e pela E420 dava um ar agradável à Bélgica, com muitos espaços verdes e espaço para circular à vontade, esse ar depressa se desvaneceu assim que se chegou à sequência de sucessivas auto-estradas que passam à margem das cidades de Bruxelas e de Antuérpia em direcção a Breda, já em solo holandês... não fosse o treino diário da marginal, A5 e 2ª circular e provavelmente demoraria dois dias a passar todo aquele trânsito! Que caos! E basicamente, é isto que conheço da Bélgica, trânsito de cortar os pulsos.
Cruzando a fronteira e entrando na Holanda, a sequência de auto-estradas manteve-se até Haarlem, com diferença clara na quantidade de faixas disponíveis e do trânsito menos caótico, bem como uma paisagem praticamente plana com um ou outro moinho a marcar diferença. Os preços dos combustíveis eram assustadores e a necessidade obrigou-me a abastecer (tinha esperança de não precisar de abastecer mais nenhuma vez por aqui) e aproveitámos para tentar achar a morada do destino nos telemóveis e evitar andar muito às voltas.
De facto não demos com sítio certo, o que de certa forma é usual quando não se navega por GPS, mas ficámos perto, junto a uma pizzaria de referência e foram-nos buscar de bicicleta... típico!
Nesta fase comecei a temer pela minha integridade física, nunca fui atropelado, mas estava convicto de que, não sairia da Holanda sem ser abalroado por uma bicicleta!
Cindo dias após a partida, cá estávamos na Holanda... o resto, os restantes dias até segunda-feira seguinte, foram, como se costuma dizer, paisagem...

























03/07/2014

O dia que era suposto chegar à Holanda, o quarto.

Isto de ter noites amenas e cerveja portuguesa tão longe de casa poderia ter dado azo a ficar com o fígado algo, digamos, cansado, mas não. A noite foi bem passada e o acordar foi fácil, enquanto aproveitava para arejar alguma da roupa molhada há dois dias, lamentava apenas não passar mais tempo por aqui para melhor poder apreciar Angoulême, mas a ideia sempre foi a de chegar à Holanda o mais cedo possível (tínhamos pensado em quatro dias, ou cinco chegando ao destino na sexta-feira).
Banho tomado, um valente pequeno-almoço bem aviado, acompanhado de um café digno, pagamento da estadia efectuado e lá tivemos que nos despedir dos conterrâneos para nos fazermos à estrada novamente rumo a Troyes. Até lá seriam mais ou menos 500km do ponto onde estávamos agora e ficaríamos a cerca de 200km da fronteira com a Bélgica, bom plano!
Chez Nuno, o responsável pelos churrascos
Achámos a N141 no mapa (e no terreno) que ruma a Limoges, virando para a D675 em direcção a Bellac onde entrámos na N145 que nos levava até à A20 onde rolámos até Châteauroux onde, por sua vez, apanhámos então a N151, parando em Saint-Florent-Sur-Cher, e passando em Bourges a fim de encontrar a D955 que nos levaria até Saint-Amand-en-Puisaye (com alguma confusão nas entradas e saídas da A77), para circular na D2 até encontrar D965 em Saint-Fargeau para nela, já em Auxerre, entrar na N77 que nos levaria até chegar a Troyes onde, literalmente, só faltou tropeçar no campismo.

Verdade seja dita que a segunda metade do percurso foi a mais interessante a nível de paisagem, era notória a diferença entre os edifícios vistos no dia anterior na zona sul de França e estes que víamos aqui, em particular as igrejas, mais baixas, mais "cinzentas" e com janelas menos abertas, os campos estavam a ser trabalhados ao fim do dia, eram inúmeras as ceifeiras/debulhadoras e os tractores que se viam... admito, no entanto, que estava preocupado com a hora de chegada ao campismo. A viagem estava a arrastar-se e dificilmente teríamos a mesma fortuna do dia anterior, não queria de forma alguma chegar "demasiado tarde" ao campismo e ter que procurar outro sítio onde passar a noite. Este facto levou-me a não prestar a merecida atenção ao cenário (que era sem dúvida belíssimo) e, eventualmente, acabei por ser flashado duas vezes (que me tenha apercebido) em câmaras de controlo de velocidade (uma à entrada de uma povoação quando ia a desacelerar e outra a meio quando devia de ir a uns 55km/h)... vamos lá ver o que se segue.
O Camping de Troyes estava cheio... quase cheio. Ainda havia lugar para nós os três e, antes que ficasse demasiado escuro (já passava bem das 21h) montámos a tenda e saímos para jantar... a pé! Só porque havia um restaurante do outro lado da rua que ainda estava a servir jantares para os atrasados do costume... ou seria porque estava a decorrer mais um jogo do mundial?

02/07/2014

Terceiro dia, o cerco e o labirinto de Angoulême

Noite molhada em Biarritz e ao longe, porque acordámos cedo e ainda não havia agitação, ouviam-se as ondas do mar... de pouco ou nada serviu o apelo do rebentar das ondas com o clima que se mantinha desde o dia anterior. Levantar a tenda foi uma tarefa feita à pressa e, pelo ponto de vista da gravidade, mal calculada, de tal forma que ao tentar colocar a CBF no descanso central para que ficasse mais estável, esta acabasse por ter um "tratamento de beleza" sobre o lado direito, ficando em repouso numa poça de lama que se tinha formado com a chuva, para além do aspecto de tractor acabado de sair da lavoura, não teve nada, valeu isso.
Pequeno-almoço tomado à moda francesa com os pain au chocolat e vamos seguir caminho debaixo de chuva fraca e algum nevoeiro para fazermos mais um cerco a Angoulême.
Até Bayonne tudo bem, era ali mesmo ao lado... o problema foi daí para norte, onde ajudados pela falta de sol, tomámos um rumo em direcção a Orthez, acabando por parar em Lacq para abastecer e... comprar um mapa (estávamos completamente fora dos mapas que levávamos connosco) onde, finalmente, se fez luz (não que o tempo já tivesse melhorado) e acertámos com o destino, muito graças à excepcional marcação das estradas francesas, difícil será encontrar uma qualquer via que não tenha a designação junto às placas de indicação das localidades!
Apanhámos então a D31 em direcção a norte, entrámos de seguida da D945 até Sault-de-Navailles onde entraríamos na D933 até perto de Mont-de-Marsan, onde passámos então para a D932 que passa por Roquefort em direcção a Langon, rumando a partir daí pela D1113, na qual parámos, antes de chegar a Villenave-d'Ornon, para petiscar o lanche que havíamos trazido de uma superfície comercial onde tínhamos almoçado horas antes, bem como dar uso às cadeiras que já estavam secas fruto da melhoria das condições atmosféricas com um envergonhado Sol que já nos acompanhava há algum tempo.
Desde o ponto onde parámos para lanchar até consumar o cerco a Angoulême estimava demorar qualquer coisa como hora e meia de viagem (eram umas 17h30, hora local) e, naturalmente, mais qualquer coisa para apreciar as vistas na cidade e posteriormente encontrar o Camping du Plan d'Eau situado poucos quilómetros a norte da cidade... se a primeira parte foi mais ou menos de acordo com o planeado, a chegada a Angoulême, já encontrar e dar entrada no campismo... foi uma história completamente diferente.
Nunca até então havia lamentado tanto não ter uma câmara de capacete... Angoulême está localizada num local que, pessoalmente, achei bonito e está igualmente cheia de locais que merecem ser vistos em detalhe e guardados para mais tarde recordar (acho que vamos ter que lá voltar mais tarde... se calhar na altura da banda desenhada, porque não?) e para ter um pouco da cidade para levarmos connosco, parámos no miradouro onde se encontra o busto de Sadi Carnot (vista de rua do google)... a vista é o que se pode imaginar, porque nenhuma foto lhe fará justiça.
Momentos kodak à parte, arrancámos em busca do campismo, pedindo direcções numa estação de serviço próxima, a jovem, muito prestável, recorreu ao talão da máquina para indicar o número de rotundas que teríamos que passar para encontrar o campismo... Merci et au revoir e lá fomos nós!
Estas foram as melhores indicações que obtivemos que apenas falhavam por não referirem a distância que era necessário percorrer na última saída da última rotunda, pois a jovem também não sabia onde era ao certo o campismo, sabia apenas que era "por aquelas bandas"... não o encontrámos, mas encontrámos um supermercado, onde pedimos indicações, mandaram-nos no percurso inverso. Mais uma volta mais uma moeda e estávamos novamente junto ao supermercado, mas desta vez perguntámos a duas jovens que por ali andavam, na esperança de conseguirmos comunicação numa língua que nos fosse mais familiar... esperanças goradas, fomos pelas indicações dadas em linguagem gestual passar nos mesmos sítios de novo, rotunda após rotunda (Viseu, anyone?), placa indicadora após placa indicadora com um sem número de linhas em letra pequena... ao que comecei a ler as placas de baixo para cima justamente na última rotunda que a jovem da estação de serviço me tinha indicado inicialmente (terceira vez que aqui estava... isto de juntar letras tem muito que se lhe diga) e lá fomos em direcção ao campismo pelo que restava deste labirinto e... lá chegámos!
Encontrámos uma entrada com dois portões mas sem nenhuma indicação de onde seria a entrada para a recepção... um indivíduo forte aproximou-se e dirigiu-se a nós, em francês, cumprimentando e perguntando o que estávamos à procura, quando lhe dissemos que procurávamos a recepção do campismo para passar a noite em "portucês", respondeu-nos que a recepção fechava às 21 horas... olhei para o relógio da mota e passavam cinco minutos... de dentro do capacete soltei um sonoro "Fpiiiiise!" ao mesmo tempo que a minha companheira começa a dizer qualquer coisa que certamente não seria nenhuma reza católica... o indivíduo desloca-se lentamente até a traseira da mota e após olhar para a matrícula remata a seguir "Se falassem Português tinha sido tudo mais fácil!"... o nosso interlocutor era o responsável dos comes e bebes do campismo, Português de gema, com saudades de Portugal, motard de Ferro e indicou-nos para que passássemos ao lado da cancela que ele já tratava do resto e assim fizemos e assim passámos a noite no campismo de Angoulême. Estando tão longe de casa e onde ao pedirmos uma cerveja para refrescar ao pôr do sol, depois de montada a tenda, nos perguntavam "Super Bock ou Sagres?"... devo ter morrido e chegado ao céu!