29/08/2015

Conta-quilómetros?

O 320i começou a fazer consumos estranhos, mais elevados do que o normal, a causa era mecânica... mas ao nível de relojoaria. Os carretos do conta-quilómetros VDO duraram 26 anos até começarem a dar sinais de estarem danificados, tendo falhado de vez pouco antes da inspecção periódica obrigatória este mês.
O BMW E30, durante a sua produção, teve quadrantes de duas marcas, Motometer e VDO, ambos são reparáveis, substituindo carretos que passam o movimento do motor eléctrico do conta-quilómetros para as rodas dentadas que nos apresentam os números da distância percorrida. As diferenças entre o Motometer e o VDO prendem-se apenas com os carretos (diâmetro e número de dentes) e é necessário levar isso em conta aquando da aquisição dos novos carretos para que tudo fique a trabalhar em condições e... felizmente há, no fórum do E30 Portugal, quem venda os carretos necessários para a reparação de ambas as marcas.

Os passos para a remoção do quadrante e reparação do conta-quilómetros são os seguintes:

Remover o fundo do tablier que é fixo em quatro pontos, três molas e um parafuso (é o único que não está à vista, fica por baixo fixando à blindagem da coluna de direcção, no meu caso é um parafuso, não sei precisar como será originalmente). As molas saem rodando-as um quarto de volta antes de as puxar.
O resguardo deverá estar encaixado junto aos pedais em dois locais, na montagem há que ter isso em atenção para que o resguardo não caia em andamento.
A seguir à remoção do resguardo deve remover-se um painel de plástico que se encontra entre o quadrante e a coluna de direcção, este painel é fixado por dentro com duas "porcas" redondas, uma de cada lado. A da fixação direita deverá ser a mais difícil de desapertar pelo menor espaço disponível.
Este painel tem que ser removido para se conseguir alcançar os parafusos que fixam a parte inferior da moldura do quadrante e do próprio quadrante ao tablier e deve ser removido com algum cuidado... este plástico já deverá ter uma idade considerável e é comum partirem-se as pontas onde esta prende na moldura do quadrante.

Passo seguinte é desapertar dois parafusos na parte superior da moldura de plástico do quadrante e quatro na inferior.
Os parafusos na zona superior não merecem reparo, já os da zona inferior sim. Estes parafusos são de duas cores, os pretos (mais longos) junto aos cantos inferiores da moldura e dois cromados ao centro (mais curtos). No processo de montagem há que ter em atenção NÃO trocar estes parafusos, ou irá danificar-se a placa integrada do quadrante de forma irreversível! 
Removida a moldura, resta desapertar mais dois parafusos na zona superior do quadrante para que este fique "solto".
Puxando pelo plástico onde os parafusos estavam, inclina-se painel para fora de forma a que a frente fique voltada para baixo (deitando sobre o plástico que esconde a coluna de  direcção) a fim de chegarmos às fichas de ligação do quadrante.
Existem duas fichas, uma de cada lado, para serem desligadas é necessário levantar o fixador preto (colocando uma chave de fendas larga usando-a como alavanca, os fixadores levantam sem esforço) para se conseguir soltar as fixas do quadrante. Depois de solto, consegue-se remover o mesmo passando-o pelo lado direito, entre o tablier e o volante.
Vem agora a parte da "relojoaria".


Os parafusos que se podem ver na periferia do lado de trás do quadrante, são os que fixam o plástico transparente (o "vidro") do quadrante, havendo um ao centro por cima da tomada amarela que se vê na foto. Ao todo deverão ser nove (9) parafusos... o meu só já tinha oito.
Na foto podem ver-se, na zona inferior, duas pequenas abas de plástico branco, estas devem ser levantadas (com cuidado) para se conseguir separar a parte de trás do quadrante do "vidro".
Depois de aberto, falta remover o manómetro do velocímetro da sua fixação. Esta fixação é feita por quatro parafusos (visíveis na foto anterior, na parte mais elevada do quadrante, os localizados à direita), depois de serem retirados, deve puxar-se o velocímetro para fora, é possível que pareça que está preso, e está. Ao puxar o velocímetro está a desligar-se a da ficha pela qual este recebe a informação para o seu funcionamento, nada de anormal.


Eis a causa do problema!
Do lado direito do velocímetro, protegidas por um plástico transparente, vai ser visível um jogo de carretos em plástico. 
O comum é ser o carreto mais pequeno o responsável, geralmente começa por estalar começando a saltar sobre o carreto adjacente, acabando por partir os dentes (o plástico não dura para sempre!) e fazendo, eventualmente, partir dentes ao carreto maior (o que acabou por acontecer também).

O plástico transparente está fixo com dois parafusos que têm que ser removidos para chegar aos carretos (são visíveis na foto anterior). 
Para que o plástico saia, depois de remover os parafusos, deve empurrar-se a placa integrada o suficiente para que se consiga desencaixar o plástico, a folga que se consegue é mais do que suficiente.
Segue-se a extracção do carreto preto e do outro mais pequeno para substituição. 
O carreto pequeno está originalmente montado num casquilho metálico que tem que ser removido para colocar o novo carreto. A remoção deve ser feita com muito cuidado, evitando puxar para que não se danifique o motor eléctrico do lado oposto do veio. Optei por ir cortando o casquilho com um alicate de corte até que este acabasse por abrir e sair sem esforço. 
Antes de passar ao passo seguinte, é aconselhável remover os restos dos dentes e limpar/desengordurar o carreto "amarelo", isto serve para evitar que, depois de tudo montado no sítio, o conta-quilómetros não funcione.
Limpar antes de montar!

O carreto maior (que é duplo) deve ser colocado primeiro encaixando no "amarelo" e posteriormente é colocado o pequeno. Este vai entrar bastante justo, pelo que, é de esperar alguma resistência.
Depois de colocado o carreto pequeno em posição, é inverter o processo e montar tudo novamente, começando pelo plástico de protecção/fixação dos carretos, colocação do velocímetro no quadrante (com o devido cuidado no encaixe da ficha) e por aí em diante. Novamente, chamo a atenção para os parafusos que, se trocados, podem danificar a placa do quadrante, os que asseguram a fixação da moldura do quadrante.
Posteriormente, é aconselhável circular durante algumas dezenas de quilómetros para ver se tudo está efectivamente a funcionar... é só mais uma boa desculpa para dar uma volta.



21/07/2015

Uma vedeta internacional

Este foi o primeiro dia de trabalho depois de duas semanas de férias, foi também um dia de calor... um daqueles dias em que, pelo simples facto de vestir o equipamento, me sentia a cozer em lume brando mesmo com a CBF parada à sombra.
Com o motor já a trabalhar, consegui colocar as mãos dentro das luvas a custo enquanto pensava que, assim que arrancasse, tudo ficaria melhor, e ficou. Ficou tão "melhor" que um percurso de oito quilómetros se tornou num de 80 e picos quilómetros em ritmo de passeio. Não, a bateria não estava a precisar de carga, não estava a precisar de desabafar, estava só a precisar de rolar de motor a ronronar por paragens mais frescas até me apetecer voltar para a casa... só porque sim.
Havia algo de estranho no comportamento da mota enquanto percorria a N9-1 (conhecida por estrada da lagoa azul), parecia uma dança em que a "ela" não parava de abanar o rabo para cima e para baixo... lembrei-me então que ainda não tinha voltado à configuração "normal" da suspensão traseira, deveria ser isso ou, talvez, eu a tomar consciência da falta do incremento de peso da semana anterior? Já trato disso quando parar.
Chegado ao Cabo da Roca, consegui encontrar um local bom para parar e tirar uma foto à Bufas com o cruzeiro em pano de fundo, ainda estava a guardar telefone e dirigem-se a mim de forma pouco compreensível. Eram duas "asiáticas" queriam uma foto "dela" (obviamente, minha não seria de certeza)... Bufas, rapariga, eu não te disse que comigo ias ser uma vedeta internacional?
Voltei a colocar a mola do amortecedor na posição "média" e lá fomos nós ao mesmo ritmo de passeio a que viemos (podia ser psicológico, mas agora podia jurar que já não havia abanicos de peida) até chegar à avenida marginal onde, sem surpresas nesta altura, as paragens nos semáforos são constantes. Perto de um hotel, uma família passa na passadeira protegida pelo semáforo verde para os peões, a menina loira que um homem alto de cabelo claro levava pela mão, fica fascinada a olhar na nossa direcção. A Bufas, envergonhada (e ruborizada, apesar de não se notar muito por causa da cor da pele) por se sentir de novo o centro das atenções, acanhou-se e tive que ser eu a acenar a menina do vestido cor-de-rosa que de volta sorriu e acenou... com as duas mãos até nos perder de vista! Bufas, rapariga, és uma estrela internacional... mesmo no teu país de registo!
Quando se anda de automóvel, isto não acontece, pois não?

30/05/2015

Passeio CBF Portugal e amigos... até Fajão.

Depois de estarem acertadas as questões geográficas e de confirmadas as presenças, eis que chegou finalmente o dia do passeio!
Havia ficado combinado haver dois grupos, um que iria seguir por AE (e que saia mais tarde) e outro que seguiria por estradas nacionais com ponto de encontro numa estação de serviço à saída de Lisboa que já estava animada com inúmeros grupos crescentes em elementos com os mais variados destinos. 
Cinco motas, três da zona de Lisboa e duas da margem sul, que daqui partiam em direcção a Montinhos (junto a Coruche), onde iríamos efectuar a primeira paragem, a do café, e para somarmos mais uma mota ao grupo para seguir caminho pela N251 até Couço onde, sempre pelas margens do Rio Sorraia, tomámos a direcção da N2 que encontrámos já junto à barragem de Montargil.
A mais longa estrada de Portugal levou-nos por Ponte de Sor, Bemposta, cruzando o rio Tejo imediatamente antes de passar em Abrantes onde a N2 se cruza com a A23 e onde demos de caras com o grupo (de três motas) que se deslocava pelas AE. 
Deixámos o distrito de Santarém entrando no de Castelo Branco, sempre pela N2, passando por Vila de Rei com o centro geodésico do país, para parar já na Sertã devido a desidratação, nossa, pois este era estava a ser um belo dia com temperaturas quentes, e também de algumas das montadas.
A paragem seguinte seria no centro de Pedrogão Grande onde nos esperavam os três elementos que optaram pela rota de AE e um quarto elemento Coimbrense.



Voltámos à nossa N2, cruzando terras de nomes peculiares e também mais animada de curvas do que na primeira etapa, deixando-a em favor da N344 após passar a Portela do Torgal já dentro do distrito de Coimbra. A N344 cruza o rio Unhais e segue pelo topo do maciço elevado de forma serpenteante permitindo uma vista privilegiada sobre a albufeira do rio Zêzere formada pela barragem do Cabril, este cenário mantêm-se até perto de uma aldeia de nome Vale Serrão, onde a estrada começa a descer em direcção à vila de Pampilhosa da Serra.
Cruzámos o centro da vila, passando frente à câmara municipal e à igreja, cruzando novamente o rio Unhais para começar a trepar a N112 (que já pouco tem do seu percurso original) desde o seu início, na qual nos surgiu a indicação para Fajão, o local combinado para o almoço. A estrada municipal que se segue, vai-se retorcendo e subindo até desembocar numa estrada larga no cimo das serras, com o parque eólico de um lado e uma visão sobre montes e vales a perder de vista do outro, antes de nova indicação nos fazer precipitar numa descida íngreme e estreita até às casas de xisto que compõem a aldeia de Fajão.

Restaurante O Pascoal.















O regresso foi o caminho inverso... mas não na totalidade. Despedimo-nos de uma parte do grupo que se dirigiu ao Encontro Internacional de Motas Goldwing, a outra repetiu o caminho até à N112 mas, em vez de voltar a Pampilhosa da Serra, seguiu para norte percorrendo a restante N112 até esta se encontrar com a N2 para seguir até Pedrogão Grande para uma segunda despedida, desta feita ao nosso companheiro de Coimbra e voltámos a seguir viagem rumando a sul repetindo o trajecto da manhã parando desta vez em Vila de Rei, por causa da sede, e em Couço para a derradeira despedida do grupo... não sem antes haver um episódio caricato com uma senhora que, sentada numa caixa de fruta, vendia produtos hortícolas em frente à estação de serviço onde parámos, tendo participado activamente nas despedidas, desejando-nos boa viagem de regresso... dali até casa, já não houve história, só apetite para uma próxima vez.


28/05/2015

Vehicle & Operator Services Agency

Este nome algo pomposo que abrevia como VOSA, é uma página disponível onde é possível consultar informação referente a recalls efectuados pelos mais variados fabricantes de veículos, sendo apenas necessário escolher o fabricante e o modelo, para obter uma listagem das anomalias. 
A listagem apresenta em específico qual a anomalia, o início e o fim de produção, bem como, os VIN (o número de chassis/quadro ou número de identificação do veículo, do inglês Vehicle Identification Number) da série que apresenta aquela anomalia.

Esta ligação ficará também disponível permanentemente no marcador "Páginas de relevo" dada a sua incontornável importância.


25/05/2015

Comparativo carro vs scooter após 30 mil quilómetros

É um tema muitas vezes debatido ao vivo e virtualmente: será realmente mais económica uma scooter que um automóvel?
Havendo muitas variáveis (desde as características dos veículos até à mais importante de todas, o condutor) que podem fazer chegar a uma conclusão diferente da que será aqui apresentada, estas são as contas do "velho" Ibiza versus a PCX para 30 mil quilómetros (percorridos ao longo de três anos).
 
Honda PCX 125 eSP (2012) 
Consumos registados: 2.11l/100km
Intervalos de revisão: 4000km

Combustível (gasolina 95RON): 966.04€
Revisões: 483.44€
Seguro: 297.30€
Imposto único de circulação: 16.30€
Pneus: 123.00€
Equipamento: 687.56€
Total: 2573.54€


Seat Ibiza 1.9D CLX (1994)
Consumos registados: 5.05l/100km
Intervalos de revisão: 10000km

Combustível (gasóleo): 1988.37€
Revisões: 417.24€
Seguro: 486.00€
Imposto único de circulação: 96.00€
Pneus: 103.14€
Inspecção Periódica Obrigatória: 89.26€
Total: 3180.01€

O Ibiza estava na altura de trocar a correia de distribuição (com substituição da bomba de água incluída) e precisava de dois amortecedores à frente, bem como de um termóstato, o que está contabilizado no valor das revisões, por serem intervenções obrigatórias se se tivesse continuado a circular com o Ibiza.
Os valores das revisões são só do material a aplicar no automóvel, foram apurados recorrendo a uma página de peças online, recaindo a escolha no material usualmente escolhido pelo mecânico nas intervenções anteriormente realizadas. 
O valor dos pneus do automóvel é o de um par de pneus de baixa resistência ao rolamento de gama média.
A PCX perde no valor pago pelas revisões (feitas no representante, com material de origem e cumprindo os intervalos de quatro mil quilómetros apontados pelas oficinas dos representantes, em vez dos oito mil recomendados pela Honda), ficando equiparada no valor dos pneus mas estes duram, à partida e em condições normais, menos que os do automóvel. 
Há a necessidade de comprar equipamento de protecção adequado a uma utilização em qualquer condição climatérica, que é a grande desvantagem da scooter mas, em contrapartida, esta esmaga o automóvel no valor pago por combustível, no imposto único de circulação e no seguro obrigatório, também não tem inspecção periódica obrigatória anual... e, para quem se desloca para o centro da cidade, não paga estacionamento.
Gráfico de Consumos da Honda PCX (30.000km)

A diferença entre as despesas de ambos os veículos cifra-se em 606.47€ a favor da scooter para uma distância percorrida de 30 mil quilómetros ao longo de três anos... mas cada caso é um caso, e deve ser analisado individualmente.

09/05/2015

Fim-de-semana portas abertas Honda: 9 e10 de Maio

E assim foi mais um check-up do fim-de-semana de portas abertas da Honda.

A CBF foi à Linhaway para confirmar o que é óbvio, está de boa saúde apenas com uma chamada de atenção para a buzina, por estar estar a soar algo "rouca". De facto está neste estado desde a aquisição e, enquanto não se calar de vez, por lá ficará para as (raras) eventualidades em que é usada.

"Aquela, ali no meio, é a que anda mais, a que vai mais longe e é a mais bonita de todas!" - ou talvez seja apenas a minha imaginação do diálogo.