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18/12/2015

Conversa de semáforo

Por entre a hora de ponta da cidade, calhou a parar ao meu lado um companheiro das duas rodas montado numa Honda NC (uma X... não reparei se 700 ou 750). O advento da NC ditou o fim da produção da CBF, passando esta a tomar o lugar de primeira grande mota (houve até quem pensasse que a NC, apanhada com a camuflagem em testes, seria a nova CBF), a mota do aprendiz de motociclista, o verdadeiro cavalo de trabalho que ensina as artes aos aprendizes.
Escusado será dizer que, sendo um feliz (e satisfeito) proprietário de uma CBF e tendo até experimentado a NC, continuo sem perceber a razão para uma aceitação tão grande e de tanto alarido (e discussão de café) em torno da hipotética superioridade da NC... talvez os menos 1000-1200€ no preço da NC vs CBF possam ser uma justificação para alguns, mas mesmo assim, não me convence. Não trocaria a CBF por uma NC, fosse em que versão fosse.

Parado ao meu lado, e após o cordial cumprimento, perguntou-me de dentro do seu capacete modular aberto quanto gastava a CBF. A minha resposta foi "quatro e meio, cinco se andar sempre e só em cidade"... e vi um queixo cair! 
Isso é muito bom! - disse-me, antes de acrescentar que fazia na casa dos 4.0l/100km, desejar um bom fim-de-semana e boa viagem, o que consegui retribuir antes de sairmos do semáforo. Não falámos depressa, o semáforo é que era demorado.

07/04/2015

A chave de ignição suplente

Tive necessidade de uma maior capacidade de volume de carga, o que me levou a alugar um furgão. Fui até uma firma de aluguer de viaturas, deixei lá o "esquentador" e fui à minha vida com uma Traffic da Renault (que me surpreendeu pelos consumos bastante bons) que se assemelhava, pela cor e pela forma, a um frigorífico.
Ao fim do dia, e aqui começa a história realmente, dei conta de não ter a chave do Corolla comigo, estava a uns bons 30 quilómetros (para cada lado) e, como estava perto do ponto de entrega do furgão, optei por levar a suplente que estava mesmo à mão e evitava uma despesa maior em gasóleo por essa deslocação extra. 
Entregue o furgão, meto-me dentro do carro, dou à chave... e dou novamente à chave com maior insistência e... mandou-me ir a pé! O motor recusou-se a pegar e a indicação do imobilizador na consola central nunca deixou de piscar. Tinha um carro, tinha uma chave desse carro, mas a electrónica (francesa, da Valeo) decidiu unilateralmente que o que eu tinha mesmo era um pisa-papéis... lá tive que pedir uma boleia para ir buscar a chave do dia-a-dia e rezar para que o problema fosse da chave e não da ignição. O problema era mesmo da chave.
Isto levou a uma despesa suplementar de 32.35€, que foi o valor cobrado pela (re)codificação da chave e substituição da pilha no representante (Melisauto).

02/07/2014

Terceiro dia, o cerco e o labirinto de Angoulême

Noite molhada em Biarritz e ao longe, porque acordámos cedo e ainda não havia agitação, ouviam-se as ondas do mar... de pouco ou nada serviu o apelo do rebentar das ondas com o clima que se mantinha desde o dia anterior. Levantar a tenda foi uma tarefa feita à pressa e, pelo ponto de vista da gravidade, mal calculada, de tal forma que ao tentar colocar a CBF no descanso central para que ficasse mais estável, esta acabasse por ter um "tratamento de beleza" sobre o lado direito, ficando em repouso numa poça de lama que se tinha formado com a chuva, para além do aspecto de tractor acabado de sair da lavoura, não teve nada, valeu isso.
Pequeno-almoço tomado à moda francesa com os pain au chocolat e vamos seguir caminho debaixo de chuva fraca e algum nevoeiro para fazermos mais um cerco a Angoulême.
Até Bayonne tudo bem, era ali mesmo ao lado... o problema foi daí para norte, onde ajudados pela falta de sol, tomámos um rumo em direcção a Orthez, acabando por parar em Lacq para abastecer e... comprar um mapa (estávamos completamente fora dos mapas que levávamos connosco) onde, finalmente, se fez luz (não que o tempo já tivesse melhorado) e acertámos com o destino, muito graças à excepcional marcação das estradas francesas, difícil será encontrar uma qualquer via que não tenha a designação junto às placas de indicação das localidades!
Apanhámos então a D31 em direcção a norte, entrámos de seguida da D945 até Sault-de-Navailles onde entraríamos na D933 até perto de Mont-de-Marsan, onde passámos então para a D932 que passa por Roquefort em direcção a Langon, rumando a partir daí pela D1113, na qual parámos, antes de chegar a Villenave-d'Ornon, para petiscar o lanche que havíamos trazido de uma superfície comercial onde tínhamos almoçado horas antes, bem como dar uso às cadeiras que já estavam secas fruto da melhoria das condições atmosféricas com um envergonhado Sol que já nos acompanhava há algum tempo.
Desde o ponto onde parámos para lanchar até consumar o cerco a Angoulême estimava demorar qualquer coisa como hora e meia de viagem (eram umas 17h30, hora local) e, naturalmente, mais qualquer coisa para apreciar as vistas na cidade e posteriormente encontrar o Camping du Plan d'Eau situado poucos quilómetros a norte da cidade... se a primeira parte foi mais ou menos de acordo com o planeado, a chegada a Angoulême, já encontrar e dar entrada no campismo... foi uma história completamente diferente.
Nunca até então havia lamentado tanto não ter uma câmara de capacete... Angoulême está localizada num local que, pessoalmente, achei bonito e está igualmente cheia de locais que merecem ser vistos em detalhe e guardados para mais tarde recordar (acho que vamos ter que lá voltar mais tarde... se calhar na altura da banda desenhada, porque não?) e para ter um pouco da cidade para levarmos connosco, parámos no miradouro onde se encontra o busto de Sadi Carnot (vista de rua do google)... a vista é o que se pode imaginar, porque nenhuma foto lhe fará justiça.
Momentos kodak à parte, arrancámos em busca do campismo, pedindo direcções numa estação de serviço próxima, a jovem, muito prestável, recorreu ao talão da máquina para indicar o número de rotundas que teríamos que passar para encontrar o campismo... Merci et au revoir e lá fomos nós!
Estas foram as melhores indicações que obtivemos que apenas falhavam por não referirem a distância que era necessário percorrer na última saída da última rotunda, pois a jovem também não sabia onde era ao certo o campismo, sabia apenas que era "por aquelas bandas"... não o encontrámos, mas encontrámos um supermercado, onde pedimos indicações, mandaram-nos no percurso inverso. Mais uma volta mais uma moeda e estávamos novamente junto ao supermercado, mas desta vez perguntámos a duas jovens que por ali andavam, na esperança de conseguirmos comunicação numa língua que nos fosse mais familiar... esperanças goradas, fomos pelas indicações dadas em linguagem gestual passar nos mesmos sítios de novo, rotunda após rotunda (Viseu, anyone?), placa indicadora após placa indicadora com um sem número de linhas em letra pequena... ao que comecei a ler as placas de baixo para cima justamente na última rotunda que a jovem da estação de serviço me tinha indicado inicialmente (terceira vez que aqui estava... isto de juntar letras tem muito que se lhe diga) e lá fomos em direcção ao campismo pelo que restava deste labirinto e... lá chegámos!
Encontrámos uma entrada com dois portões mas sem nenhuma indicação de onde seria a entrada para a recepção... um indivíduo forte aproximou-se e dirigiu-se a nós, em francês, cumprimentando e perguntando o que estávamos à procura, quando lhe dissemos que procurávamos a recepção do campismo para passar a noite em "portucês", respondeu-nos que a recepção fechava às 21 horas... olhei para o relógio da mota e passavam cinco minutos... de dentro do capacete soltei um sonoro "Fpiiiiise!" ao mesmo tempo que a minha companheira começa a dizer qualquer coisa que certamente não seria nenhuma reza católica... o indivíduo desloca-se lentamente até a traseira da mota e após olhar para a matrícula remata a seguir "Se falassem Português tinha sido tudo mais fácil!"... o nosso interlocutor era o responsável dos comes e bebes do campismo, Português de gema, com saudades de Portugal, motard de Ferro e indicou-nos para que passássemos ao lado da cancela que ele já tratava do resto e assim fizemos e assim passámos a noite no campismo de Angoulême. Estando tão longe de casa e onde ao pedirmos uma cerveja para refrescar ao pôr do sol, depois de montada a tenda, nos perguntavam "Super Bock ou Sagres?"... devo ter morrido e chegado ao céu!

27/06/2009

Tudo por causa de um parafuso

Uma verdadeira partida! No início dos trabalhos não havia grandes esperanças, ao retirar a tampa das válvulas tudo na cabeça do motor estava certo... o problema deveria ser a um nível mais inferior, as apostas eram na cambota ou em alguma biela.
Ao tentar rodar o motor manualmente, um raspar era ouvido da frente do motor, palpite para problemas no primeiro cilindro.
Iríamos começar pela correia, para eliminar hipóteses, e ao remover o amortecedor de vibrações... o motor ficou solto! O resguardo da polia do veio intermédio estava preso com... três parafusos?! Removida que estava, o "terceiro parafuso" tinha a cabeça gasta! Este parafuso fixava a polia do veio intermédio, e, por alguma razão inconcebível, desapertou sozinho, furou o resguardo e começou a fazer pressão no amortecedor de vibrações, este, sendo uma peça bem mais robusta do que a fina chapa de alumínio que era o resguardo, aguentou a força do parafuso até que a pressão gerada por este provocasse a paragem do motor por completo.