Como precaução deixámos tudo preparado para uma noite molhada... e fizemos bem. Ao acordar a noite tinha sido de chuva (será que não nos dá descanso? não era suposto ser Verão?) e a CBF estava lavada dos poucos mosquitos que tinham resistido às constantes molhas.
Tínhamos acordado tão cedo que nem mesmo a recepção estava aberta... óptimo! O percurso seria mais longo que de ontem, queríamos chegar a Haarlem hoje! No entanto não estávamos só nós a mexer (e a arrumar a trouxa), de uma caravana próxima aproximou-se uma senhora trazendo dois copos de plástico, falando em inglês, deu-nos os bons dias e ofereceu-nos o primeiro café do dia (diz que tinha feito um pote de café em vez de fazer uma caneca), acrescentando ainda, depois de agradecermos, que tinha começado os passeios dela também de mota e que agora já andava assim (apontando para o a bicicleta, o carro, a caravana, o avançado de caravana... ) partindo do seu país natal, a Holanda. Não pude deixar de mandar um olhar cúmplice à minha companheira dizendo... nem penses que me converto ao caravanismo! Se não cabe na mota, é porque não vale a pena levarmos! Fiquei com a sensação que, por entre o sorriso, ela sentia falta do secador com o difusor para os caracóis que não trouxemos...

Passámos Châlons-en-Champagne sempre na D677, há nesta zona, ao que me parecia, uma forte componente militar (o Camp de Mourmelon) o que verifiquei, após parármos em Suippes (mais uma localidade bonita com um ar pacato), quando passámos junto a alguns cemitérios e junto ao Le Monument aux morts des Armées de Champagne, uma cripta onde estão os restos mortais de 10 mil homens que tombaram na primeira guerra mundial... mesmo nunca tendo sido militar, parei... desliguei o motor e fiquei em silêncio por instantes, há algo imenso de dor nestes locais, dor de quem combate, de quem morre e de quem ficou para trás chorando aqueles que perdeu...

Se o percurso até Charleroi pela N5 e pela E420 dava um ar agradável à Bélgica, com muitos espaços verdes e espaço para circular à vontade, esse ar depressa se desvaneceu assim que se chegou à sequência de sucessivas auto-estradas que passam à margem das cidades de Bruxelas e de Antuérpia em direcção a Breda, já em solo holandês... não fosse o treino diário da marginal, A5 e 2ª circular e provavelmente demoraria dois dias a passar todo aquele trânsito! Que caos! E basicamente, é isto que conheço da Bélgica, trânsito de cortar os pulsos.

De facto não demos com sítio certo, o que de certa forma é usual quando não se navega por GPS, mas ficámos perto, junto a uma pizzaria de referência e foram-nos buscar de bicicleta... típico!
Nesta fase comecei a temer pela minha integridade física, nunca fui atropelado, mas estava convicto de que, não sairia da Holanda sem ser abalroado por uma bicicleta!
Cindo dias após a partida, cá estávamos na Holanda... o resto, os restantes dias até segunda-feira seguinte, foram, como se costuma dizer, paisagem...
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