14/07/2014

Décimo quinto dia, da serra à praia

O dia começou, como de costume, cedo, aparentemente demasiado cedo... não, nós não madrugámos, o resto do pessoal é que ainda estava a recuperar das celebrações do final do mundial de futebol na noite anterior.
Mesmo num local onde éramos claramente estrangeiros duas vezes fomos muito bem recebidos neste retiro Holandês em França e foi com alguma pena que não ficámos mais tempo para experimentar algumas das actividades que estão disponíveis nas imediações do campismo... restava-nos partir em direcção ao Delta d'Ebre onde queria passar a noite... ver o nascer do sol no mar não é todos os dias.
Voltámos à N116, que já conhecíamos do dia anterior, e seguimos em direcção à fronteira trepando as estradas torcidas e retorcidas, sempre acompanhados por auto-caravanas e por motas, por nuvens e por imagens tiradas de postais a cada curva desenhada na serra, tudo a três dimensões e em alta definição...
... fotografias só mesmo para "mais tarde recordar", porque justiça, não fazem.
Vamos lá a montar na Bufas (nome carinhosamente atribuído à CBF pela minha respectiva... mesmo assim não está tão mau como o que atribui à PCX) para continuar a trepar rumo à fronteira. A N116 começou a nivelar, deixou de ter curvas tão apertadas, posteriormente começou a descer e a tornar-se numa espécie de DN7 mais lenta, mas também mais graciosa na dança das curvas, admito que pouco olhei à volta nas zonas mais animadas, mas era capaz de viver aqui... antes de chegar a Bourg-Madame, passar a fronteira para Puigcerdà, parar numa estação de serviço da Repsol para esticar os esqueletos enquanto apreciávamos um pouco de sol (da próxima meto-me em aventuras no Verão!), beber uma amostra de café, ser cumprimento por um motociclista Suíço, comprar um mapa de Espanha e ouvir o telemóvel receber a mensagem de boas vindas a Espanha... estávamos oficialmente em Espanha! Agora tínhamos uma N152 e uma N260 que nos levariam até à C14 que passa em Coll de Nargó onde efectuámos a nossa "pausa para refeição" num estabelecimento que cheguei a pensar que fosse um clube, a avaliar pelo parque.
Por esta altura já se começava a notar a temperatura a subir mas nada que fizesse adivinhar o que aí vinha (querias Verão, não era?).
Deixámos a C14 em Artesa de Segre onde entrámos na C26, seguiu-se a C13 até perto de Lleida onde passámos para a C12 que ruma a sul, onde o calor já era tanto que a paragem já não foi para esticar as pernas, descansar o rabo ou outra desculpa qualquer, foi mesmo para hidratar e ventilar... bem-vindo ao interior de Espanha!
Paragem seguinte, Tortosa, com direito a compras para o jantar antes arrancar em busca do campismo, o L'aube, junto à  foz do Ebro.
Se encontrar o campismo não foi particularmente difícil por entre a paisagem plana e cheia de água (apesar das poucas indicações disponíveis), montar a tenda revelou-se uma tarefa digna de uma parceria ibérica entre parcelas vizinhas de gerações diferentes. Nós, os portugueses, mais novos e a precisar de pregar estacas, e eles, os espanhóis, a gozar a aposentação numa caravana de pneus vazios mas apetrechados para todas as eventualidades, até para o aparecimento de vizinhos sem martelo. 
De facto desenrascaram-nos por duas vezes, quando nos emprestaram o martelo e, já depois de ambos termos jantado, quando nos vieram perguntar se tínhamos repelente de insectos... o simpático senhor, ao ouvir a nossa resposta, rapidamente voltou com uma embalagem para nos dar e nos salvar de uma potencial carnificina. Bem haja!


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