01/07/2014

Dia dois, os Pirinéus

Depois de um primeiro dia quase perfeito e de uma noite bem dormida, o despertar madrugador foi ao som de... gotas de chuva a poisarem delicadamente na tenda. O que poderia ser um cenário perfeito de enredo de filme romântico matinal, tornou-se muito rapidamente numa azáfama, mais ou menos organizada, para desmontar a tenda e arrumar tudo dentro da mala antes que... parasse de pingar?!
O dia manteve-se sempre cinzento, mas sem chuva, quando saímos do Camping Cubillas pela A-62 em direcção a Burgos onde entraríamos então na N-120 (para evitar as portagens) seguindo-se a A-12 em direcção a Pamplona cruzando posteriormente a fronteira e rumando em direcção a Bayonne onde passaríamos a noite... era esse o plano, pelo menos... a realidade foi ligeiramente diferente.
A nossa primeira paragem foi em Buniel, no Hotel Area Serrano, para um café que já tardava e seguimos caminho sem enganos nem sobressaltos apreciando a paisagem do caminho de Santiago, onde fomos saudados (e saudamos) várias vezes por peregrinos que percorriam o caminho.
Os quilómetros foram passando com direito a uma ou outra pausa, para esticar as pernas ou abastecer, e chegámos a Pamplona e daí em diante... fez-se nevoeiro! Todo o percurso daqui em diante pela N-121-A e B foi feito com equipamento de Inverno (leia-se, impermeáveis, em nós e nos alforges), a paisagem até poderia ser do mais belo que há no mundo (e acredito que assim seja), mas não era possível apreciar fosse o que fosse, alturas houve em que pouco mais conseguia ver que um metro ou dois à frente do nariz, em Dantxarinea o nevoeiro era menos denso e podiam ver-se as superfícies comerciais e a actividade do local e depois... asneira! Em vez de seguir pela D20 acabei por virar para a D4 ao entrar em França, seguindo por entre o nevoeiro e a chuva uma quantidade considerável de quilómetros até Saint-Pee-Sur-Nivelle onde finalmente parámos e fizemos sentido do que se tinha passado... em Biarritz há um campismo? Passamos lá a noite!... se conseguirmos montar a tenda sem que fique completamente ensopada.

Chegados ao campismo de Biarritz (onde o rapaz da recepção falava todas as línguas, excepto Português), tratámos de jantar e só depois tratámos das acomodações numa pausa que a chuva nos deu... os impermeáveis e as luvas ficaram a secar/escorrer toda a noite, já a roupa que levávamos... muita dela estava molhada (para não dizer ensopada), sem possibilidade de secagem.
O nosso segundo dia revelou-se desafiante na parte final, quer pelas condições atmosféricas, quer pela navegação depois do erro, sinceramente, não esperava "vida fácil" nos Pirinéus mas espera ter feito mais do que os 400km que acabámos por fazer, em parte para compensar o dia anterior e... não era suposto estarmos no Verão? Se o Verão chegar entretanto, pode ser que amanhã de manhã ainda dê um salto à beira mar antes de seguir viagem...

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